{"id":1,"date":"2018-10-10T12:52:32","date_gmt":"2018-10-10T15:52:32","guid":{"rendered":"http:\/\/cidadelaeditorial.com.br\/edicao-por-demanda\/?p=1"},"modified":"2018-10-15T12:59:13","modified_gmt":"2018-10-15T15:59:13","slug":"cida-caldas-paixao-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadelaeditorial.com.br\/edicao-por-demanda\/cida-caldas-paixao-livros\/","title":{"rendered":"Cida Caldas, a mulher que transformou a paix\u00e3o por livros em profiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h1>Cida Caldas, a mulher que transformou a paix\u00e3o por livros em profiss\u00e3o<\/h1>\n<p class=\"headline__subtitle\"><em>Dona de um sebo h\u00e1 33 anos, ela se reinventa mesmo no mundo das novas tecnologias .\u201c\u00c9 emocionante lidar com livros raros, antigos ou autografados pelos autores.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Viver no meio de livros, n\u00e3o apenas os que contam, mas o que t\u00eam hist\u00f3ria. Edi\u00e7\u00f5es antigas, p\u00e1ginas marcadas pela assinatura de um autor que j\u00e1 morreu, um exemplar raro que n\u00e3o se encontra mais em nenhuma livraria. \u00c9 o sonho de qualquer amante da literatura e uma realidade para\u00a0<strong>Cida Caldas<\/strong>, de 55 anos. Ela criou um sebo de sucesso que movimenta Bras\u00edlia h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. Ali fez amigos, criou uma comunidade, insistiu na beleza do antigo, transformou o lugar em ponto de encontro para falar do que ela mais gosta na vida: livros.<\/p>\n<p>Cida nasceu quase junto com a capital federal, em 1963. Na cidade sonho de Juscelino Kubistchek, ela cresceu, se formou e logo teve o primeiro filho. Nesse per\u00edodo, trabalhava em uma livraria e morava em uma kitnet em cima de uma quadra comercial. &#8220;Na \u00e9poca eu j\u00e1 pensava em ter meu pr\u00f3prio neg\u00f3cio, mas n\u00e3o tinha grana. Trabalhava numa livraria que tava numa fase dif\u00edcil e ia fechar. Falei pra minha chefe; &#8216;sei que voc\u00ea est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o complicada, voc\u00ea n\u00e3o quer pagar minha recis\u00e3o em livros e umas estantes?&#8217;. E ela topou&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>Ela juntou os livros que tinha ganhado, com os que tinha em casa, e no pequeno apartamento 2012 no bloco C da quadra 406 Norte come\u00e7ou a vend\u00ea-los. &#8220;Era uma coisa bem pequena, eu cuidava do meu filho que tinha um ano, recebia as pessoas, passava um caf\u00e9. E contava muito com a ajuda do meu marido e da minha sogra. E com ela, em especial, me uni muito como mulher&#8221;, conta. Cida acabou passando em um concurso como professora e foi dar aulas, mas sempre com a cabe\u00e7a no neg\u00f3cio. Ainda que tivesse que trabalhar e estudar, com o tempo, conseguiu alugar uma loja pequena no com\u00e9rcio debaixo da sua kit.<\/p>\n<p>Um acontecimento, no entanto, mudou um pouco o rumo das coisas, mas n\u00e3o a sua perseveran\u00e7a. &#8220;Nesse per\u00edodo, aconteceu uma coisa muito triste. Perdi meu marido num acidente de carro. Foi muito dif\u00edcil. Ficamos eu e minha sogra, sendo que ela cuidava da loja pra mim. Diante da situa\u00e7\u00e3o, o meu cunhado que morava nos EUA, que inclusive estava com ele no acidente e sobreviveu, abriu m\u00e3o de tudo l\u00e1 e veio pra Bras\u00edlia. Ao mesmo tempo, com a entrada dele, come\u00e7amos a crescer, alugamos a loja do lado e seguimos assim&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>O Sebinho come\u00e7ou a ficar conhecido na cidade por quem queria encontrar livros raros e mais acess\u00edveis. N\u00e3o tinha propaganda e nem rede social que ajudasse, era o boca a boca que faziam as pessoas aparecerem. E Cida come\u00e7ou a se afastar do trabalho como professora e estar cada vez mais l\u00e1 entre os livros e entre as pessoas. &#8220;Tem clientela que virou amigo e que acompanham a gente at\u00e9 hoje. Aqui virou um ponto de cultura, onde as pessoas vem pra ler, conversar com amigos, professores vem encontrar alunos, \u00e9 bom demais, \u00e9 minha segunda casa. A minha palavra \u00e9 gratid\u00e3o ao universo pelo trabalho que eu tenho e amo de paix\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Tr\u00eas d\u00e9cadas depois, Cida analisa o espa\u00e7o que tem hoje: ele ocupa todo o pr\u00e9dio e subsolo, bem distante daquele espa\u00e7o pequeno onde tudo come\u00e7ou. A loja est\u00e1 sempre movimentada e agora abriga um caf\u00e9 e bistr\u00f4 que n\u00e3o fica vazio. &#8220;Gosto de olhar pra tr\u00e1s e ver quanto caminho eu j\u00e1 trilhei para chegar at\u00e9 aqui. Quem v\u00ea da forma como \u00e9 hoje n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o da luta que foi. A gente sempre foi muito perseverante, e sempre teve a mente aberta. V\u00e1rias livrarias fecharam em Bras\u00edlia quando as grandes abriram. E muita gente me pergunta: &#8216;como voc\u00eas conseguem sobreviver?&#8217; N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, tudo passa por um entendimento do seu p\u00fablico e da gest\u00e3o do neg\u00f3cio&#8221;, revela a empres\u00e1ria.<\/p>\n<p>Cida entendeu muito r\u00e1pido que precisava manter sua autenticidade. Foi assim que transformou os primeiros 100 livros, em mais de 90 mil t\u00edtulos que tem hoje. &#8220;Normalmente quando voc\u00ea vai numa livraria de livros novos, mesmo que voc\u00ea n\u00e3o tenha uma lista, voc\u00ea sabe exatamente o que vai comprar. O sebo j\u00e1 \u00e9 uma viagem no tempo, ele mexe com a sua mem\u00f3ria, ele faz voc\u00ea procurar. Tem gente que vem aqui e passa o s\u00e1bado inteiro na loja. J\u00e1 presenciei gente suspirando nos corredores dizendo &#8216;poxa, essa cole\u00e7\u00e3o tinha no meu av\u00f3 ou esse livro pertenceu ao meu pai ou minha m\u00e3e&#8217;. De alguma forma, voc\u00ea acaba passeando e encontrando hist\u00f3ria&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o pelos livros \u00e9 o que permeia a vida e o trabalho de Cida. No ano passado, ela leu 78 livros, uma m\u00e9dia de quatro por m\u00eas. &#8220;Uma coisa vai puxando a outra, e isso vai muito pelo fato de eu estar nesse ambiente. E muitos gente chega aqui e me indica tamb\u00e9m: &#8216;voc\u00ea n\u00e3o leu esse livro? Tem que ler'&#8221;, conta. &#8220;A leitura \u00e9 um processo muito solit\u00e1rio, ent\u00e3o a gente t\u00e1 sempre querendo encontrar algu\u00e9m pra falar sobre livros. Fiz uma roda de leitura e a gente se re\u00fane uma vez por m\u00eas, cada semestre tem um tema, neste por exemplo, estamos passando pela literatura japonesa&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Ela lida n\u00e3o apenas com a venda, mas a compra deles, diariamente. Vai at\u00e9 a casa das pessoas, caso haja um acervo com mais de mil t\u00edtulos e nestes caminhos encontrou algumas peculiaridades. &#8220;Algumas coisas foram muito significativas pra mim, como a primeira edi\u00e7\u00e3o do Grande Sert\u00e3o Veredas, de Guimar\u00e3es Rosa. Ver livros que fizeram parte da minha inf\u00e2ncia e no decorrer da vida sumiram. Lembro quando encontrei uma cole\u00e7\u00e3o de capa dura de uns livros do Monteiro Lobato que queria muito quando pequena&#8221;. E se lembra todo dia das hist\u00f3rias que seus livros perpetuam com outras pessoas.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/2018\/10\/13\/cida-caldas-a-mulher-que-transformou-a-paixao-por-livros-em-profissao_a_23557134\/\">HUFFPOST<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cida Caldas, a mulher que transformou a paix\u00e3o por livros em profiss\u00e3o Dona de um sebo h\u00e1 33 anos, ela se reinventa mesmo no mundo das novas tecnologias .\u201c\u00c9 emocionante lidar com livros raros, antigos ou autografados pelos autores.&#8221; Viver no meio de livros, n\u00e3o apenas os que contam, mas o que t\u00eam hist\u00f3ria. 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